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Kirby's Dream Collection: jogo bom não tem idade

Por Ana Carolina Gonçalves em 26 de dezembro de 2014


Uma das reclamações mais comuns da gurizada gamer entre 20 e 30 anos é que os jogos “não são mais o que costumavam ser”, geralmente acompanhada de “saudades de quando os gráficos não importavam”. De fato, games não são mais os mesmos - eles amadureceram durante as décadas passadas, levando a onipresença nas estantes e discussões sobre seu status enquanto arte. E me desculpem, mas ninguém com mais de cinco anos disse “ain, que lixo de gráfico, esse jogo é podre”, e vocês sabem disso!

Muitas franquias resistiram ao passar dos anos; nem preciso citar as inúmeras IPs que a Nintendo construiu ao longo dos anos, como Mario, Zelda, Metroid e todas aquelas que moram no coração. Elas evoluíram de diferentes formas ao longo dos anos, expandindo em histórias, personagens, jogabilidade e possibilidades. Kirby não deixou por menos: desde Kirby’s Dream Land (1992), a bolinha rosa mais amada do mundo já apareceu em quinze jogos de plataforma e incontáveis spin-offs, animes, mangás e comics, sem contar as participações em outros games da casa.


Kirby’s Dream Collection (2012) é um belo resumo da evolução pela qual Kirby passou nos últimos 20 anos: em um disco, temos Kirby’s Dream Land 1, 2 e 3 (Game Boy), Kirby’s Adventure (NES), Kirby Super Star (SNES) e Kirby 64: The Crystal Shards (N64). Todos tiveram sua experiência otimizada para o Wii e oferecem suporte ao controle do Game Cube e ao Classic Controller. Além dos seis jogos, temos desafios baseados em Kirby’s Return to Dream Land e um museu com destaques da história do personagem principal (desde o tempo que o Miyamoto batia o pé pra ter um Kirby amarelo). Como se tudo isso não fosse suficiente, a caixinha traz mais presentes - um CD com músicas marcantes da série e um livreto histórico!

Reunir grandes títulos do passado é uma coisa, mas será que eles resistem ao cruel teste do tempo? Para responder a essa pergunta, entreguei minha cópia do jogo ao meu primo de sete anos (aqui referido como João) no início desse ano e deixei que ele abrisse essa arca sozinho. João tem um Wii há um ano e é o nintendista sensato mais novo que eu conheço, já sendo Artista do Mês na Nintendo World e declarando que é muito grato aos japoneses, tão somente pela criação da Nintendo.

Visto aqui em uma pesquisa de campo na TV de visitas da vó.

Depois de muito explorar o jogo, ele concluiu que os primeiros são “difíceis, mas legais”, Kirby Super Star é “ah, mais ou menos” e Kirby 64 é o melhor da coletânea. O platforming menos misericordioso não diz muito à sua geração e os minigames não lhe atraíram muito, mas um desafio justo e uma ambientação bacana foram o que selaram o acordo em Kirby 64.

Agora vem a geração Ghouls’n’Ghosts esbravejar que essa geração está perdida mesmo e que todos os novos gamers são molengas, usando o menino João como evidência anedótica. Correndo o risco de ser flagelada, vou discordar de vocês - não, jogar algo mais difícil não torna ninguém um jogador melhor. Muita gente que foi até o fim nesse jogo o fez porque tinha alugado sexta à noite e era o que tinha pra passar o fim de semana, e outros o terminaram porque tiram felicidade legítima em superar os desafios impostos. Num mundo em que a indústria dos games produz tanto que já é mais rentável que a do cinema, não existe falta de opção: João pode cansar de apanhar sem progredir e partir para um jogo que realmente o divirta. Se ele concluir um jogo cruelmente difícil, vai ser por escolha e gosto dele - e é isso o que importa! Quanto aos gráficos, ele achou tudo uma fofura e não ficou contando pixels, porque ninguém com mais de cinco anos usa isso como ponto pra discussão. Eu já disse isso, poxa!

1992: melhor ano.

Em resumo, Kirby’s Dream Collection é um excelente pacotinho de nostalgia pra quem quer relembrar o passado da bolota, uma aula de história dos games a partir de uma das mais famosas franquias da Nintendo e divertidíssimo pra quem está começando. Impossível não recomendar o jogo, que foi o último lançamento first-party para o Wii e é exclusividade americana (chora, Europa! Onde estão as suas edições especiais de todos os lançamentos agora, hein? *chora no cantinho*).



Pontos positivos Pontos negativos Nota final
  • Aqueles lindos jogos da série que bem conhecemos
  • Livreto e CD de ótima qualidade, dignos das melhores coleções, e um museu virtual muito bacana
  • O modo Challenge é divertidíssimo
  • Priorizaram a história da série em vez da diversidade de jogos: com isso, títulos como Kirby's Pinball Land e Nightmare in Dream Land perderam espaço pra continuações de Dream Land
  • É basicamente um disco com seis ROMs - não há nenhum tipo de melhoria para a geração em que saiu
  • Sistema de saves nada prático, que envolve resetar o jogo
8



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